Mulheres e Movimentos 
 
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Tribuna de Alagoas - 09/03/2005

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    Movimentos congelados
    Um livro reúne em 260 fotos e depoimentos os últimos 30 anos da mulher no cenário da militância brasileira, e desfaz o mito de que o feminismo morreu.

    Da redação
    O livro trata de registros em imagens e conta uma história por meio delas. Estes movimentos congelados marcam a forte ora divertida, ora agressiva , mas sempre engajada presença feminina na vida política e nas manifestações sociais, desde 1989 no Brasil e na América Latina. Mulheres e Movimentos, lançado em todo o Brasil, ontem, é assinado pela fotógrafa Cláudia Ferreira com textos da socióloga Cláudia Bonan. Apesar de ter o tom da homenagem, o livro pretende e consegue refletir sobre um período de profunda riqueza, simbolizado nas figuras da militância, nas reivindicações em forma de encontro, seminário, protesto ou festa. O acervo consegue ainda recuperar com precisão e poesia alguns dos momentos–chave destes últimos 15 anos do feminismo, ou do feminino, como queiram chamar.

    O volume reúne as fotos em preto e branco dos movimentos de mulheres, clicados pela fotógrafa carioca Cláudia Ferreira, desde 1989. As imagens colhidas pela fotógrafa, algumas mais íntimas, outras públicas, individuais, coletivas, em solenidades oficiais ou em momentos flagrantes, ganham a liberdade poética dos textos da socióloga Cláudia Bonan, que localiza na história e contexto, além de comentar com graça as figuras em exposição.

    A publicação em livro dessas imagens comoventes e referenciais, indispensável para a história da mulher, marca os 30 anos da criação do Ano Internacional da Mulher (ONU–1975), os 20 anos da criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e os dez anos da IV Conferência Mundial da ONU sobre a Mulher em Beijing. Na apresentação, a ministra Nilcéia Freire, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, ressalta a importância dos movimentos brasileiros e latinoamericanos no livro registrados. "Estas imagens fazem uma espécie de depoimento oficial e indiscutível do papel da mulher na redemocratização dos seus países e organização da sociedade civil", avalia a ministra. Ainda na introdução, a professora e ensaísta Heloísa Buarque de Hollanda assinala a importância deste "retrato" em branco e preto, que oferece uma espécie de documento de tantos anos de idas e vindas dos movimentos sociais. "Este livro nos oferece, em fina sintonia e com grande talento e liberdade, uma das mais felizes versões da história das mulheres nas últimas décadas do século XX". A escritora relembra ainda: "Nos anos 70, teóricas do feminismo apontavam a câmera fotográfica e a caneta do jornalista como objetos fálicos". Aqui, desmistificamos estes excessos. O trabalho desmente regras e teorias, nos aponta para um retrato, in loco e real", assegura.

    Mulheres e Movimentos foi dividido em quatro grandes capítulos, e oferece ainda um panorama global e preciso de fatos e referências que foram construídos como um verdadeiro glossário histórico. O conjunto da sua proposta apresenta uma visão de mão dupla, segundo Sônia Alvarez, professora de Política na Universidade da Califórnia, em prefácio da obra. "É um olhar íntimo, bem feminino, sobre a face pública dos movimentos de mulheres e feminista. Abstraiu–se um pouco o lado duro, nele foi encontrado a poesia", diz. Para a professora, as páginas de Mulheres e Movimentos oferecem ao leitor a possibilidade de transportar o observador para dentro desses movimentos, mostrando a face cotidiana e nem sempre tão heróica de seus mais diversos grupos.

    O relato oferece também algumas contribuições fundamentais como desfazer tabus e idéias préconcebidas, como por exemplo o mito de que as feministas brasileiras e latino–americanas são brancas, das classes mais favorecidas, mal amadas e vendidas ao imperialismo. Outro aspecto que cai por terra, segundo Sônia Alvarez, frente às imagens, é o da idéia de que com a normalização da política e a profissionalização de importantes setores dos movimentos sociais nos anos 1990, o feminismo acabou. O livro ilustra nitidamente que o movimento no Brasil e na América Latina tomou novas proporções, transformou–se, mas não desistiu de reavaliar críticas das mais assíduas e afiadas ao neoliberalismo global e seus efeitos sobre as mulheres. "A mulher não abriu mão das mudanças radicais almejadas e defendidas pelas feministas de décadas passadas, e nem deixou de abraçar novas lutas, insistindo que um novo olhar sobre o feminismo é possível e necessário".

    Feminismo em quatro capítulos
    Em um primeiro momento, as autoras apresentam uma visão geral do movimento feminista, com pinceladas desde o inicio do século XX até os anos 90, com os principais marcos históricos e a diversidade do movimento assinalados. Em seguida, o olhar volta–se para os encontros feministas brasileiros e latinoamericanos que, segundo as autoras, são invenções políticas peculiares, dado o seu caráter de grande diversidade de manifestações incluídas.

    O terceiro capítulo tem o olhar voltado para a participação das mulheres no ciclo de conferências mundiais da Organização das Nações Unidas nos anos 1990. E nisto compreenda–se: a ECO 92 (RJ), China, em setembro de 1995 (a IV Conferência Mundial sobre a Mulher) e Durban, África do Sul, setembro de 2001, com a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata. Por fim, no quarto capítulo, as autoras tratam da participação da mulher em dois processos políticos que abrem o novo século: no Fórum Social Mundial em 2001 e na Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, junho de 2002, em que duas mil mulheres de todos os cantos do País estiveram em Brasília.


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